Tecnologia de LED – tendência de iluminação no Brasil

agosto 3, 2010 Posted by Michelle Ishizuka - 7 Comentários

Atualmente, a tendência no mercado de iluminação no Brasil é cada vez mais a utilização de LEDs. Várias empresas adotaram o uso desta tecnologia e os profissionais estão procurando soluções em LED não só no entretenimento (TV, show business, etc), mas também na arquitetura. Um exemplo é a Star, que utiliza o painel de LED Star Lighting visando a seguir a tendência de uso de LEDs nos equipamentos de iluminação para aplicações decorativas e arquitetônicas em eventos, festas, lojas, casa noturnas, palco, etc.

Segundo João Alonso Álvares, diretor comercial da Hot Machine, os refletores Ribalta e o modelo Palco 3 (ambos da SMG) também têm atendido ao segmento de arquitetura. Vicente Vitale, da empresa Novalite Iluminação, utiliza tubos de LED (para efeito visual e cenografia) e refletores RGB Ribalta com a tecnologia de LED (grande luminosidade e efeito). O foco são os estúdios de TV.

Mudanças na projeção

O uso do display de LED em shows praticamente inviabiliza a projeção, já que a luminosidade emitida pelo display é muitas vezes superior à luminosidade de um projetor refletida em uma tela. Acredita-se que a mudança em termos de projeção de shows é a de se ter uma qualidade de imagens muito maior. “Temos novas tecnologias, mais inteligentes, leves e cada vez mais com qualidade e potência. Podemos ter como exemplo o que já aconteceu nos últimos dois anos. Utilizavam-se projetores de 3 mil ansi lumens e hoje estamos em 15 mil, além, é claro, dos painéis de LED”, disse Jesus Fernandez, empresário e diretor da 2A Lighting, que representa a Avolites, Pixelpar, Pixelrange e Osíris no Brasil.

A chegada dos painéis e cortinas de LED no Brasil

Um painel de LED é uma placa com combinações de luzes vermelhas, azuis e verdes (RGB), que formam pixels. Estes recebem informações de um processador específico que transforma luzes em imagens. A tecnologia dos displays de LED full-color (aqueles que exibem todas as cores visíveis, sendo próprios para exibição de vídeos de alta resolução) se tornou possível após os LEDs azuis terem se tornado comercialmente viáveis a partir de 1995.

Aqui no Brasil, um dos primeiros shows a utilizar essa tecnologia foi a turnê Voodoo Lounge, dos Rolling Stones, em 1995, que usou o famoso Jumbotron. A partir de então, os principais fabricantes passaram a oferecer esses displays no metros quadrados da Drap Led (Produto Nacional). A empresa também possui 40 tubos de LED da Chauvet e mais duas cortinas de LED de 80 metros quadrados da Drap Led. A Oficina de Luz também dispõe de cortinas. A empresa começou a utilizar Cortina de LED Softled em 2002 e, visando a seguir a tendência do mercado para shows musicais e eventos corporativos, já investiu em refletores tipo Par 64 de LED e Element LABS ZIP Tubos de LED.

Custo e avaliação da qualidade

“O LED progrediu muito em termos de qualidade, resolução e em termos de preço. Apesar de ser ainda absurdamente caro, é muito mais barato do que há cinco anos, e agora com muito mais resolução”, avalia Wagner, diretor da Ponto Mídia Projeções, que trabalha com o painel AVP LED Tech utilizado nas turnês de Adriana Calcanhotto e Titãs.

Hoje, existem vários produtos de LED, como painéis de LED de alta resolução, cortinas de LED, tubos de LED, painéis de LED com transparência e alguns refletores, que têm um bom aproveitamento para iluminar cenários. Segundo os entrevistados, com relação à qualidade dos painéis de LED de alta resolução, todos os disponíveis têm boa tecnologia e a maioria deles é importada. Para avaliação da qualidade de um painel existem vários fatores. A linguagem utilizada é a distância em milímetros entre os pixels. Existem muitos outros parâmetros tão importantes quanto esse para avaliação de um painel, como, por exemplo, qualidade e procedência do LED, modelo de processador de imagem, etc.

No mercado brasileiro há disponíveis para locação opções de 23 até 5 milímetros. O preço do LED embute muitas variáveis: forma de importar, procedência, modelo indoor ou outdoor, resolução, etc. Esse preço varia entre US$ 10 mil e US$ 50 mil o metro quadrado. Caso uma empresa se interesse por comprar, precisa ter bem definida qual a utilização do painel. Os modelos de melhor relação custo-benefício são aqueles que têm pitch (a distância entre os pontos luminosos que formarão uma imagem) em torno de 13 milímetros e o custo destes equipamentos gira em torno de 20 mil dólares por metro quadrado de display. “Um painel para o topo de um prédio, por exemplo, onde teremos lettering, pode ser um painel de 70 milímetros com uma estrutura fixa. Já um painel para uso indoor deve ter menos que 10 milímetos. A diferença do preço entre eles é muito grande”, disse Sílvio Francisco, diretor de eventos, lighting designer e diretor de fotografia da Objeto de Luz Design. Silvio diz ainda que essa decisão de compra depende muito do capital disponível (que não é pouco), bem como da estratégia da própria empresa. Na opinião de Nelson, para uma produtora, a melhor opção é a locação, porque os altos custos iniciais de importação, treinamento, e mesmo a manutenção, não existirão. “Adotamos outra estratégia e estamos abrindo aqui no Brasil uma filial da fábrica que nos fornece equipamentos, obtendo assim uma linha de fornecimento próprio para atender também ao mercado em geral”. “O investimento em LED é uma tendência que nós teremos que acompanhar, mas sempre com muita calma, pois o mercado de iluminação a cada dia se renova”, incentiva Caio Lima, lighting designer da LPL.

Economia

De acordo com os entrevistados, o display de LED pode proporcionar uma enorme economia nos custos de manutenção, já que a vida útil do LED pode chegar a 100 mil horas contra as centenas ou alguns poucos milhares de horas de vida útil de uma lâmpada de projetor. “Temos a economia de energia e a durabilidade do equipamento com praticamente nada de manutenção, além de não ter que ficar trocando e gastando com gelatina em determinados serviços. Claro que estamos falando de equipamentos confiáveis e de tecnologia”, opinou Jesus. Ivo Moura, diretor da Prisma Eventos, está pesquisando sobre as tendências de mercado para o uso do LED em várias produções e concorda que a parte mais forte e interessante em relação a LED é a questão da economia. Já Naldo Bueno acha que não se trata só de economia e vida útil maior para os equipamentos e lâmpadas e sim de economia de energia gasta com os equipamentos e calor.

O lighting designer e os LEDs

O lighting designer tem hoje nas mãos o LED, um produto que possui uma infinidade de cores e situações para criar, muito mais do que com lâmpadas. Na opinião de Rogério, o LED não muda o conceito de trabalho do lighting designer e sim ajuda a dar mais opções na forma de iluminar um cenário e criar melhores efeitos visuais. Nelson fala de duas possibilidades de uso desta tecnologia pelo lighting designer. Uma será a tendência da iluminação de palco passar a ser feita com lâmpadas de LED, o que permitirá um controle de luminosidade e de cor muito melhores do que com as lâmpadas convencionais, além de um consumo de energia elétrica muito menor.

Outra possibilidade é de o lighting designer que souber aproveitar o recurso do brilho intenso do display de LED, aliado aos equipamentos de iluminação tradicional, obter efeitos jamais imaginados. “Acho que por mais tecnologia que apareça, como aconteceu com os moving lights e agora o LED, o que acaba prevalecendo, no meu entender, é o bom gosto da utilização dessas ferramentas. O LED é luz e penso que todo lighting designer deve saber mais sobre esse assunto e ir testando sua utilização de forma não convencional, pois a ‘popularização’ do LED, seja em forma de painel ou de refletor, dependerá muito da criatividade dos nossos profissionais”, disse Silvio Francisco.

O futuro

Novas tecnologias como as do LED impulsionam as empresas a se voltarem cada vez mais para esta nova realidade do segmento de iluminação. Nelson lembrou que antes dos moving lights entrarem no mercado utilizavam-se 200 lâmpadas Par para um show básico e hoje se utiliza bem menos. “Acredito que isso também deva acontecer com os LEDs. Temos vários refletores competentes para substituir lâmpadas, além dos sistemas de painéis, cortinas de LED e variações destes sistemas transparentes para a cenografia. O LED é a lâmpada do futuro e já está chegando o dia em que lâmpadas incandescentes e fluorescentes serão apenas peças de museu”, opinou Nelson.

Silvio acredita que em aproximadamente três anos a evolução dessa tecnologia e a queda do preço farão com que grande parte das empresas de iluminação consuma esses produtos, pois a durabilidade do LED aliada ao seu baixo consumo interessa a todas as empresas e os custos tendem a diminuir gradativamente. “Acho que o LED chegou para ficar. Seja na iluminação automotiva, decoração, iluminação industrial, na iluminação cênica (já temos mini brutt, moving light, refletor Par, que utilizam LED) e também no mercado de projeção de imagens. Como toda tecnologia nova chega com um preço muito alto e aos poucos vai se popularizando, aconteceu com os moving lights e será com o LED”, enfatizou Silvio. Naldo Bueno é cauteloso com o futuro desta tecnologia na iluminação, levando em consideração custos e lucros das empresas. “Tudo de LED que é de boa qualidade ainda é muito caro para nosso mercado, que paga muito pouco em cada locação. Por isso, imagino que quem comprar os produtos com qualidade e caros não conseguirá aumentar rapidamente seu estoque. Penso que vai demorar um pouco mais para essa tecnologia fazer parte do nosso dia-a-dia”. “Na minha opinião, as aplicações de alta potência ainda não atendem com custo satisfatório, porém, a utilização em baixa e média será mais rápida”, opinou Eduardo José Orenes, diretor e engenheiro responsável pela área de desenvolvimento de produtos da Star. João Álvares diz que investir em equipamentos de LED não é barato, mas ao contabilizar os custos, no final, acaba sendo um bom negócio. “Podemos notar que na área de show as bandas de forró já estão utilizando essa tecnologia, que em breve também vai atender até a desfiles de moda”, comentou João.

Matéria de Karyne Lins extraída da revista Backstage www.backstage.com.br

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